Rio Grande do Norte

Transexual que ganhou ‘dia da beleza’ será contratada por salão onde foi atendida

Após ver Ana Paula buscando comida no lixo, dona de salão presenteia mulher com 'dia da beleza'.

Jhéssyka, Tatiana e Lilian após a transformação de Ana Paula no salão. (Foto: Reprodução/Facebook)
Jhéssyka, Tatiana e Lilian após a transformação de Ana Paula no salão. (Foto: Reprodução/Facebook)

Tatiana Van Campo, dona do salão onde a Ana Paula recebeu um “dia da beleza” após ser vista buscando por comida em uma lixeira, decidiu contratá-la para fazer parte de sua equipe. Tatiana pretende oferecer um curso para Ana com o objetivo de que ela aprenda uma profissão e saia das ruas, onde vive atualmente.

“Não posso imaginar ela comendo lixo outra vez. A cena foi muito forte pra mim. Deus me capacitou para formar grandes profissionais e com ela não será diferente”, contou.

Tatiana é hairstylist e especialista em cabelos loiros. Ela ministra cursos por todo o Brasil ensinando técnicas de como cuidar dos fios descoloridos. O ato solidário ocorreu nesta quarta-feira em Natal, no Rio Grande do Norte, e foi compartilhado na página oficial do salão em uma rede social.

Tatiana contou que assim que viu a situação da transexual pediu que ela entrasse na cozinha do salão para comer algo. Ela diz ainda que a mulher contou a todos um pouco de sua história de vida — foi expulsa de casa aos 15 anos e agredida nas ruas — o que sensibilizou ainda mais todos que trabalham no local.

“Eu tinha acabado de ministrar um curso quando vi aquela cena da Ana comendo lixo. Eu não pensei duas vezes antes de pegar na mão dela e chamá-la para entrar. Desde então, a gente foi criando um laço, e ela sempre passa por aqui para nos visitar. Decidimos ontem que ela teria um dia de princesa, e assim foi. Ela foi tratada como nossa cliente e aproveitou demais todo o processo”, disse Tatiana.

Uma das funcionárias que participou do “dia da beleza” e cuidou do cabelo de Ana também é transexual. Esse é o primeiro ano que Jhéssyka Mendes pode ser oficialmente chamada pelo nome social, após conquistar nova documentação.

“Eu não tinha como não me colocar no lugar dela. Também sofri muito preconceito. A sociedade na maioria das vezes fecha os olhos para nós. Foi um gesto simples que fez toda a diferença e ver o sorriso da Ana no final foi nosso maior presente”, disse a cabeleireira.

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