Distrito Federal

Sexta edição do Bocadim, festival LGBT, traz Duda Beat e muito mais a Brasília

Evento acontece nesta sexta-feira e sábado, 18 e 19 de outubro, e conta ainda com as atrações NoPorn, Gali, Danna Lisboa e muito mais.

Duda Beat é uma das atrações mais aguardado da 6ª edição do Bocadim. (Foto: Divulgação)
Duda Beat é uma das atrações mais aguardado da 6ª edição do Bocadim. (Foto: Divulgação)

Nos dia 18 e 19 de outubro, o bar Outro Calaf no Setor Bancário Sul e o gramado da Furnate, vão receber a sexta edição do festival LGBTQI+, Bocadim. O evento contará com a participação de artistas que apresentam em sua trajetória engajamento político e pautam sua obra na luta contra o preconceito, entre elas a pernambucana Duda Beat.

Nomes com boa performance na cena musical nacional como estão Potyguara Bardo do Rio Grande do Norte, Danna Lisboa, de São Paulo; Dolores 602, de Minas Gerais, e Gali, de São Paulo, também marcarão presença no Bocadim. Além de atrações locais como Natália Carreira, Hyanna e Os Verdes, BiduH e Mini Ball – Batalha de Vogue.

Embora a comunidade LGBTQI+ tenha conquistado importante vitória com a decisão do Supremo Tribunal Federal ao equiparar LGBTfobia ao crime de racismo, “simbólica e numericamente a nossa comunidade é alvo de pressões em razão das pautas morais e fundamentalistas encontrarem guarida no Palácio da Alvorada”, alerta Dayse Hansa, coordenadora geral do Festival.

Em razão disso, o Bocadim surge como um movimento de contraponto que se alinha ao modo contemporâneo de ativismo, “o qual promove ações, a partir da arte e suas intersecções, que despertem a empatia e o amor para a desconstrução de informações equivocadas que se desdobram em violações dos nossos direitos”, pontua a produtora.

Em dois dias de apresentações artísticas, com 12 atrações locais e de outras regiões do país, o Bocadim abre os caminhos de sua edição 2019 com uma festa, dia 18 (sexta-feira), no Outro Calaf. Na noite, o trio de DJs REBU – D-Day, Loly e Rafa Ferrugem – dá início à agitação, que fechar com a apresentação impactante de Karla Testa, ambos de Brasília.

O ponto alto da balada será a apresentação do NoPorn, que desembarca em Brasília pela primeira vez. Auto-descrito como “um projeto de poesia eletrônica para dançar”, a performance do trio, Liana Padilha, Lucas Lauri e Lucas Freire, é palavra dita com tom político-romântico pra sussurrar na pista e dançar na cama.

Já no sábado (19), o evento se muda para o gramado da Funarte Brasília onde, no palco de nome Vange Leonel, em homenagem à ativista, passarão artistas do Rio Grande do Norte, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Distrito Federal. Natural de Ribeirão Preto (SP), a cantora e instrumentista Gali traz ao festival sua música influenciada pelo sertanejo de raiz, de Inezita Barroso, bem como da melancolia pop de Lana Del Rey. “Baião, xaxado e arrocha também estarão no repertório deste show inédito com a estreia de nosso novo formato, em trio”, aponta a cantora. Gali sobe ao palco acompanhada por Theo Charbel, na guitarra, e Érica Silva, no baixo.

Natural de Ribeirão Preto (SP), a cantora e instrumentista Gali traz ao festival sua música influenciada pelo sertanejo de raiz, de Inezita Barroso, bem como da melancolia pop de Lana Del Rey.  (Foto: Divulgação/Mari Rosa)
Natural de Ribeirão Preto (SP), a cantora e instrumentista Gali traz ao festival sua música influenciada pelo sertanejo de raiz, de Inezita Barroso, bem como da melancolia pop de Lana Del Rey. (Foto: Divulgação/Mari Rosa)

Politizada e de mente brilhante, para versos e rimas cheios de verdade sobre a dura realidade vivida pela mulher trans periférica, somada a uma voz poderosa, a paulistana Danna Lisboa abala estruturas de posturas conservadoras. Seu primeiro EP “Ideias”, produzido por Nelson D, é conceitual e traz estilos como R&B, Hip Hop, Rock, Ragga e música eletrônica. No palco, Danna surge acompanhada de Nelson D, nas pick-ups, Samuel Bueno, no baixo, Fernanda Aimê, na guitarra, e corpo de dançarinos.

A paulistana e mulher trans Danna Lisboa abala estruturas de posturas conservadoras. (Foto: Divulgação/Jonatas Marques)
A paulistana e mulher trans Danna Lisboa abala estruturas de posturas conservadoras. (Foto: Divulgação/Jonatas Marques)

A banda mineira Dolores 602 aporta no festival para apresentar sua pegada indie pop de sonoridade intensa, guitarras brilhantes, um baixo vintage, bateria setentista e uma voz aveludada. Formada por mulheres fortes e feministas, as integrantes levam a poesia a sério em composições de guerrilha poética sobre o dia-a-dia, com determinação para falar de amor com simplicidade.

Formada por mulheres fortes e feministas, a banda Dolores 602 leva a poesia a sério em composições de guerrilha poética sobre o dia-a-dia. (Foto: Divulgação/Raquel Pinheiro)
Formada por mulheres fortes e feministas, a banda Dolores 602 leva a poesia a sério em composições de guerrilha poética sobre o dia-a-dia. (Foto: Divulgação/Raquel Pinheiro)

Fecha a programação do 6º Bocadim, a Rainha da Sofrência Pop, Duda Beat. Com um diário recheado de desabafos ácidos, as letras de Duda dão voz a uma jovem mulher romântica que não consegue se adaptar à fluidez dos relacionamentos contemporâneos. Porém, engana-se quem pensa que o trabalho de Duda faz apologia à amargura – o lamento transformado em arte é impregnado de humor.

Natural do Recife e radicada no Rio de Janeiro, a cantora soma seu timbre forte aos ritmos eletrônicos em músicas que giram em torno do mesmo tema: o amor. Duda recebeu o prêmio de Revelação do Ano 2018 pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Indicada na Categoria Revelação 2018 no prêmio WME Awards, Aposta do Ano no MTV MIAW 2019 e está indicada para a categoria Experimente no Prêmio Multishow 2019. “Sinto Muito” foi eleito o 8º melhor disco de 2019 pela lista da Revista Rolling Stone.

Outra atração do evento é Potyguara. (Foto: Divulgação/Caroline Goes)
Outra atração do evento é Potyguara. (Foto: Divulgação/Caroline Goes)

Outras atrações do evento são Potyguara Bardo do Rio Grande do Norte; e as locais Natália Carreira, Haynna e Os Verdes, BiduH e Batalha de Vogue (Mini Ball).

À vanguarda dos eventos culturais que se firmam na programação anual brasiliense, o Bocadim desfila um line-up composto 70% de atrações femininas, feministas e ativistas, “o que é muito raro em festivais mistos”, ressalta Hansa. E mais, 50% das profissionais que irão trabalhar nesta edição são mulheres, assumindo os cargos de brigadistas a seguranças bem como de produtoras e assistentes.

Segundo Hansa, também ativista das causas feminista e LGBTQI+, “esta edição será ainda mais política e potente que as anteriores com mais atividades e propostas que dão sustentação aos fundamentos do projeto”, ressalta. O Brasil é o país que mais assassina pessoas LGBTQI+ e um dos países que mais se violenta e mata mulheres e “cabe a todos nós buscarmos alternativas criativas para mudar esse quadro lamentável”, sugere a ativista.

Reverenciar nomes de ativistas que lutam e lutaram pelas causas LGBTQI+ é também um dos propósitos do Bocadim. Com isso, esta 6ª Edição do Festival deu nome a seu palco principal de Vange Leonel, cantora, escritora e ativista lésbica falecida em 2014, vítima de câncer.

Vange foi colunista do Mix Brasil, da revista Sui Generis e pioneira ao escrever uma coluna, então LGBT, na Folha de São Paulo. Foi autora de livros dedicados ao universo LGBTQI+ como Balada para as Meninas Perdidas; e Lésbicas, Grrrls: Garotas Iradas, além de textos para teatro como As Sereias da Rive Gauche e Joana Evangelista. Prima de Nando Reis, ex-Titãs, Vange se tornou conhecida nacionalmente com a canção “Noite Preta”, tema de abertura da novela Vamp, da Rede Globo. Cilmara Bedaque, esposa de Vange durante 30 anos, até seu falecimento, foi autora de todas letras e sua colaboradora em livros e textos na imprensa.

Na 5ª Edição do festival, o palco se chamou Cássia Eller e ficou posicionado ao lado da sala que leva o nome da cantora no Complexo Cultural da Funarte, em Brasília.

Serviço:

6º Festival BOCADIM 2019 – Liberdade – Resistência – Equidade – Oportunidade – Amor

  • Festa de abertura dia 18/10, a partir das 20h, no Outro Calaf, com: DJs REBU em B2B – D-Day, Loly e Rafa Ferrugem; DJ Karla Testa; e NoPorn.

Festival dia 19/10, a partir das 16h, no gramado da Funarte

Programação:

  • 16h: Abertura dos portões
  • 16h: Queermada
  • 18h: Gali
  • 18h40: Natália Carreira
  • 19h20: Biduh
  • 20h: Batalha de Vogue
  • 21h: Dolores 602
  • 22h: Danna Lisboa
  • 22h40: Haynna e os Verdes
  • 23h30: Potyguara Bardo
  • 0h30: Duda Beat

Ingressos: bit.ly/FestivalBocadim

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