Cinema & Teatro

Hollywood tem recorde de representatividade LGBTQIA+, mas falta qualidade

E pelo terceiro ano consecutivo não houve nenhuma representação de pessoas trans.

Cena do filme Rocketman, de 2019, em que Elton John conhece John Reid. (Foto: Reprodução)
Cena do filme Rocketman, de 2019, em que Elton John conhece John Reid. (Foto: Reprodução)

A GLAAD (sigla para Aliança Gay e Lésbica contra Difamação), organização não governamental nos Estados Unidos, indica que há motivos para comemorar — e alguns outros não — sobre a participação de pessoas e personagens LGBTQIA+ em Hollywood. Todos os anos, a ONG divulga um índice que analisa quantidade, qualidade e diversidade de personagens LGBTQIA+ nos filmes de maior bilheteria no ano anterior.

O Índice de Responsabilidade dos Estúdios da ONG registrou um aumento na porcentagem de representação, mas baixa diversidade racial e ausência de personagens trans.

O estudo avaliou oito estúdios e quatro de suas subsidiárias, conforme relatado pela Box Office Mojo, diz o site Deadline:

  • Lionsgate
  • Paramount Pictures
  • Sony Pictures
  • STX Films
  • United Artists Releasing
  • Universal Pictures
  • The Walt Disney Studios
  • Warner Bros

Dos 118 filmes lançados em 2019, 22 (18,6%) incluíam personagens lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queers, intersexuais ou assexuados. Os números aumentaram um pouco em relação ao índice anterior, que registrou 20 dos 110 (18,2%) filmes como inclusivos para LGBTQIA+.

Isso marca a maior porcentagem de inclusão desde a primeira realização desse tipo de análise, oito anos atrás.

Porém, o índice não atribuiu a nenhum dos oito estúdios ou suas subsidiárias o grau de “bom” ou superior a isso, com base na qualidade, quantidade e diversidade da representação LGBTQIA+. Lionsgate, Paramount Pictures, United Artists Releasing e Universal Pictures obtiveram notas “insuficientes”, enquanto Sony Pictures Entertainment e Walt Disney Studios obtiveram notas “fracas”.

A STX Films não atingiu qualquer marca, pois recebeu uma avaliação de “reprovada”, sem representação LGBTQIA+.

“O cinema tem o poder de educar, esclarecer e entreter o público em todo o mundo, e no clima político e cultural atual de divisão, devemos priorizar as histórias LGBTQIA+ e as de todas as pessoas marginalizadas”, disse Sarah Kate Ellis, presidente e diretora-executiva da GLAAD.

A diversidade racial de personagens LGBTQIA+ nos filmes examinados diminuiu pelo terceiro ano consecutivo. Em 2019, apenas 34% dos personagens LGBTQIA+ eram negros (17 de 50), abaixo dos 42% no relatório anterior e uma diminuição de 23 pontos percentuais dos 57% em 2017.

Quanto à representação de travestis e transexuais, não houve nenhuma, pois os personagens trans não foram incluídos nos principais lançamentos de estúdio pelo terceiro ano consecutivo.

“Apesar de ver uma porcentagem recorde de filmes com inclusão LGBTQIA+ este ano, o setor ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de representar de maneira justa e precisa a comunidade LGBTQIA+. Se os estúdios de cinema querem permanecer relevantes para o público de hoje e competir em um setor que enfatiza a diversidade e a inclusão, eles devem reverter urgentemente o curso sobre a representação decrescente de mulheres, LGBTQIA+ e pessoas negras, bem como a completa ausência de personagens trans”, critica Ellis.

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