São Paulo

Memorial da Resistência de São Paulo reabre com exposição ‘Orgulho e Resistências: LGBT na Ditadura’

Mostra faz um recorte sobre as relações entre autoritarismo e diversidade sexual e de gênero.

Arte LGBTQIA+. (Foto: Vania Toledo / Divulgação)
Arte LGBTQIA+. (Foto: Vania Toledo / Divulgação)

Com a entrada da Fase Verde, em São Paulo, mais estabelecimentos foram autorizados a reabrir – respeitando, claro, as normas referentes à pandemia – e museus estão nesta lista. Entre eles, o Memorial da Resistência de São Paulo que, desde o dia 15, está com a exposição Orgulho e Resistências: LGBT na Ditadura. A mostra, realizada em parceria com o Museu da Diversidade Sexual, sob a curadoria de Renan Quinalha, faz um recorte sobre as relações entre autoritarismo e diversidade sexual e de gênero.

O público terá aceso a obras literárias, cartazes de peças de teatro, músicas, filmes, fotografias e materiais que confrontavam a censura na época, além de documentos oficiais da ditadura. Dentre os destaques estão fotografias de Vânia Toledo e um desenho inédito da cartunista Laerte Coutinho no tocante a pluralidade de gêneros.

O Ato do Somos - Grupo de Afirmação Homossexual, em abril de 1980 nas ruas de São Paulo contra a violência à comunidade LGBTQIA+. (Foto: Somos / Divulgação)
O Ato do Somos – Grupo de Afirmação Homossexual, em abril de 1980 nas ruas de São Paulo contra a violência à comunidade LGBTQIA+. (Foto: Somos / Divulgação)

Nas décadas de 60 e 70, a resistência também é demonstrada no âmbito cultural, com o surgimento de uma arte considerada transgressora e de contracultura. Para a mostra, uma das referências é o grupo Secos e Molhados que tinha como vocalista o Ney Matogrosso, de aparência andrógina, e que por meio da mídia chegava a inúmeras casas brasileiras, numa clara referência a pluralidade de gêneros.

Orgulho e Resistências: LGBT na ditadura contextualiza também o surgimento de um movimento LGBTQIA+ mais organizado a partir de 1978. O visitante terá acesso a imagens de atos de rua e capas de publicações das imprensas alternativa que abordavam o assunto.

Arte da cartunista Laerte Coutinho. (Foto: Laerte Coutinho / Divulgação)
Arte da cartunista Laerte Coutinho. (Foto: Laerte Coutinho / Divulgação)

Por fim, a exposição faz um paralelo ao demonstrar que mesmo com a constituição de um movimento mais organizado no fim da década de 70, muitas das reivindicações históricas do Movimento LGBTQIA+ foram conquistadas bem recentemente, como a união estável e casamento igualitário (2011), mudança de prenome e sexo nos registros de pessoas trans (2018) e criminalização da LGBTQfobia (2019).

A visitação é gratuita, mas é necessário reservar a data e horário pelo site do Memorial.

A instituição também funcionará em horário reduzido, das 12h às 18h, de quarta a segunda.

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