Distrito Federal

No DF, transexual é morta após se negar a dividir lanche com sem-teto

Juliana da Cruz Costa, de 32 anos, foi atacada com golpe de faca no peito. Segundo Polícia Civil, vítima e suspeito são sem-teto; crime ocorreu no Sudoeste.

Uma mulher transexual foi morta com um golpe de faca no peito após negar dividir um lanche com um sem-teto, no Sudoeste, no Distrito Federal. O crime ocorreu por volta das 22h de quinta-feira (10). Juliana da Cruz Costa, de 32 anos, estava em um estacionamento, quando foi abordada pelo suspeito, que está foragido.

O delegado à frente do caso, Douglas Fernandes, contou que Juliana também era sem-teto e trabalhava em estacionamentos da região, vigiando carros. “A vítima estava com o companheiro. Eles faziam esse trabalho em troca de comida”, diz.

Segundo o investigador, o suspeito chegou no local e se identificou como “Jubileu”. Em seguida, ele discutiu com o companheiro da vítima, após Juliana se negar a dividir a refeição que fazia no momento.

Juliana da Cruz Costa, de 32 anos, morreu a ser esfaqueada no peito, no DF. (Foto: TV Globo/Reprodução)
Juliana da Cruz Costa, de 32 anos, morreu a ser esfaqueada no peito, no DF. (Foto: TV Globo/Reprodução)

“Com a negativa, o suspeito ficou com raiva e fingiu deixar o local. Ele retornou e surpreendeu a vítima com uma facada no peito. Após isso, ele correu. O companheiro da mulher tentou ir atrás dele, mas foi ameaçado e desistiu”, explica Douglas.

Investigação

De acordo com o delegado, o caso foi registrado na 3ª Delegacia de Polícia, no Cruzeiro, como homicídio. Douglas diz que, após o crime, equipes das polícias Civil e Militar tentaram localizar o suspeito, porém, não tiveram sucesso.

“Estamos em busca de câmeras de segurança que possam mostrar a dinâmica do crime e que identifiquem o autor.”


Os policiais interrogaram testemunhas, como o companheiro de Juliana. Aos investigadores, ele contou que o suspeito estava de máscara, era negro e tinha cerca de 1,8 metro.

Moradores da região lamentaram a morte de Juliana. “Ela estava sempre sorridente e com alto astral”, disse uma pessoa que conhecia a vítima.

Brasil é o país que mais mata pessoas trans

Em 2017, pesquisa do Grupo Gay da Bahia (GGB) revelou que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. De acordo com o estudo, a expectativa de vida delas é de 35 anos, menos da metade da média nacional, que é de 75 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

No Distrito Federal, há alguns avanços na conquista por direitos da população trans. Em setembro deste ano, por exemplo, a juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do DF, determinou a transferência de mulheres transexuais detidas em presídios masculinos para a Penitenciária Feminina do DF (PFDF), conhecida como Colmeia, mesmo que elas não tenham passado por cirurgia de redesignação sexual.

Além disso, em janeiro deste ano, a Polícia Civil do DF incluiu mulheres trans e travestis nos protocolos locais de combate ao feminicídio. Desta forma, elas passaram a ter o serviço de acolhimento e investigação da instituição.

Em 2018 a Polícia Civil abriu o primeiro inquérito de feminicídio tentado para investigar agressões a uma mulher transexual. O caso ocorreu em Taguatinga e a atitude foi inédita na capital.

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